
SOBREVIVENTE
N. Talapaxi S.
Vejo a fome que mata o mato
A sede que mata a rio;
Vejo o mar que afoga a praia,
O calor que racha o frio
Vejo a cova que se abre no céu
Sepulcro do que morre na terra
Vejo o Sermão da Montanha calado
Onde soam os gritos da guerra
N. Talapaxi S.
Vejo a fome que mata o mato
A sede que mata a rio;
Vejo o mar que afoga a praia,
O calor que racha o frio
Vejo a cova que se abre no céu
Sepulcro do que morre na terra
Vejo o Sermão da Montanha calado
Onde soam os gritos da guerra
E eu ainda sobrevivo
Mas morro pouco a pouco
Vejo a vida que se envenena
Com a justiça em recesso
Vejo o caminho da benevolência
Com a seta no sentido inverso
Vejo o sangue verde se vertendo
Na lareira das vaidades
Vejo o sopro que se vai na água
No dilúvio que devasta cidades
Mas eu ainda sobrevivo
E morro pouco a pouco
Vejo a vida não valendo nada
Desde o fratricídio de Caim
Vejo, páro mas não sei o que pensar
Se foi só o começo do fim
Vejo todos se devorando uns aos outros
Onde o princípio do amor se anula;
Vejo a luz do cenáculo se apagando
E a ceia acontecendo no breu da gula
E eu ainda sobrevivo
Mas morro pouco a pouco
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